CORONAVÍRUS

o vírus que parou o mundo!

coronavírus é um vírus que causa a doença que é chamada COVID-19 (corona vírus disease de 2019, traduzindo… doença causada pelo coronavírus em 2019). Esse vírus ataca principalmente o sistema respiratório, para a maioria das pessoas ele vai causar um quadro como um resfriado comum, mas pode ser grave para uma parcela da população – idosos e pessoas que já têm outras doenças, como: pressão alta, diabetes, problemas respiratórios e problemas no coração.

E como o coronavírus ataca o sistema respiratório? Ele entra na célula pulmonar, sequestra a célula e ela passa a trabalhar para o vírus, criando vários clones dele e no final, destrói as nossas células, frente a essa destruição em massa, em resposta do nosso sistema imune é provocar um processo inflamatório, na tentativa de destruir o vírus e esse processo passa a ser tão ruim ou até pior do que o próprio vírus, porque o pulmão fica parecendo uma esponja (cheia de água) e já não consegue cumprir a função dele que é trocar oxigênio por gás carbônico e a pessoa fica sem conseguir respirar, e obviamente, sem respirar não podemos viver.

Vamos entender estatisticamente como a COVID 19 se manifesta?

  • 80% das pessoas passam pela doença como um resfriado comum;
  • 14% das pessoas podem precisarde internação;
  • 06% das pessoas podem precisar de internação em UTI e intubação.

Frente a tudo isso, você pode me responder “ah ok ela é grave para pessoas idosas ou que já são doentes, eu sou jovem e saudável não tenho nada a ver com isso, logo não tenho com o que me preocupar”.

Isso é um engano terrível! Pois o problema do coronavírus, para além da doença em si é a crise no sistema de saúde, e nesse caso, não conseguirá atender nem as pessoas doentes com o coronavírus e nem as pessoas com outros problemas de saúde, por exemplo.

Só para ficar claro a gravidade da pandemia que estamos enfrentando, vamos ver porque a COVID-19 é mais grave que uma simples gripe.

  • O coronavírus é muito contagioso: cada pessoa infectada pelo vírus pode infectar cerca de 3 pessoas (2,5) enquanto uma pessoa infectada com o vírus da gripe infecta aproximadamente 1 pessoa (1,1);
  • Período de incubação longo: período de incubação é o tempo de decorre desde o momento em que a pessoa entrou em contato com vírus até manifestar os primeiros sintomas. No caso da gripe, esse período é de 1 a 2 dias e o do coronavírus é de de 5 a 6 dias e o pico de transmissão acontece no final desse período, ou seja, a pessoa nem começou a manifestar os primeiros sintomas e já pode estar espalhando o vírus para outras pessoas;
  • Tratamento mais demorado: uma pessoa com COVID-19 em suas formas graves precisará de cerca de 10 dias de tratamento (internação hospitalar), enquanto na gripe, os casos graves precisam de cerca de 3 a 4 dias de internação;
  • Mortalidade mais alta: a COVID-19 mata cerca de 0,3 a 1% das pessoas infectadas, ou seja, de todo mundo que pegar a doença 0,3 a 1% vão morrer por causa da doença, parece pouco, mas a gripe mata cerca de 0,1 a 0,2%. E na população idosa essa porcentagem sobe bem mais.

Ah ok, entendi, parece chatinha essa doença, mas será que é para tudo isso mesmo? Países fechando fronteiras, pessoas reclusas dentro de suas casas, eventos cancelados, toda fonte de aglomeração proibidas…. Não se trata de uma histeria coletiva?

Não! O fato é que todas essas coisas juntas, como o fato de ser muito contagioso, ter um período de incubação longo, tempo de tratamento de suas formas graves também ser longo e uma mortalidade considerável, o sistema de saúde não conseguirá atender os doentes e isso provocará um colapso do sistema de saúde.

Como o vírus vai se propagando e infectando muitas pessoas, o número vai praticamente dobrando a cada dia, e com o aumento do número de infectados aumenta o número de pessoas que precisam de assistência hospitalar e chega em um ponto, onde o sistema de saúde não dá conta de tratar de todo mundo, e o que precisamos fazer? Reduzir a velocidade como o vírus se propaga para reduzir o número de infectados que têm sintomas e precisam de assistência hospitalar todos os dias.

Essa estratégia já foi feita em alguns países e conseguiram tratar seus doentes sem que seus sistemas de saúde entrassem em colapso. Assim, o número de pacientes que precisam de assistência hospitalar é sempre dentro do possível para o sistema de saúde.

Para imitar o exemplo desses países, todos nós precisamos parar e modificar a nossa rotina para os próximos dias, semanas e até meses. Precisamos nos distanciar uns dos outros para que esse vírus não se propague e a melhor arma é o isolamento social. Quando isso não for possível, devemos pelo menos manter o distanciamento social, mudanças nos comportamentos (evitar abraços, beijos e aperto de mãos) e intensificar os hábitos de higiene.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) essa pandemia pode ser controlada, e para isso precisamos repensar a nossa rotina e nos isolar, e é sabido que terá um grande custo econômico, mas não tomar essas medidas pode custar muito mais e ainda custar muitas vidas!

Mentiras e verdades sobre a COVID-19

É só uma gripe?

A COVID-19 para a maioria das pessoas (80%) passa como uma gripe, mas aproximadamente 20% das pessoas infectadas e que têm os sintomas vão precisar de assistência hospitalar por dias ou até mesmo por semanas, 20% é muita gente, então não estamos falando de uma simples gripe, é algo bem mais sério.

Esse vírus morre no calor?

Não! Ele dura menos no calor, mas também se propaga no calor.

Quais são as pessoas mais vulneráveis que precisam ter mais cuidados ainda?

Idosos, pessoas com problemas respiratórios, hipertensos, diabéticos e pessoas com problemas cardíacos. Essas pessoas precisam tomar muito mais cuidado, mais distanciamento social e se possível, isolamento.

As crianças não ficam doentes?

Mentira! Ficam sim, tanto quanto os adultos e idosos. Porém por causa do sistema de defesa delas, que é forte, os sintomas da COVID-19 são semelhantes a um quadro gripal, no entanto, se elas continuam frequentando a escola, elas transmitem esse vírus para outras pessoas, como seus coleguinhas, funcionários e professores.

Para me proteger contra o vírus basta melhorar a higiene pessoal, lavar as mãos com frequência e usar o álcool em gel?

Isso ajuda, mas não evita e só isso não é o suficiente. O que mais ajuda é o isolamento social ou se este não é possível, o distanciamento social, principalmente das pessoas com sintomas.

Quais são os sintomas da COVID-19?

Estado gripal, tosse seca e, algumas vezes, febre.

E o que fazer se tenho os sintomas da COVID-19?

O ideal é que você fique em casa, se isole ao máximo, porque se existe a suspeita de você ter o vírus é importante não passar para outras pessoas. Ir correndo para o hospital não resolve, provavelmente não farão nada a não ser prescrever medicamentos sintomáticos (paracetamol, dipirona etc.) e mais, muitas pessoas desenvolvem esse quadro e não têm o coronavírus e ao ir ao hospital você aumenta a chance de ser infectado, ficando em casa e cuidando do estado gripal é a melhor forma de lidar com a situação, porque se caso o quadro piorar dá tempo, tranquilamente de ir para o hospital.

Mas e se eu tiver o coronavírus como vou saber se não for ao hospital?

Agora existem muitas pessoas infectadas não importa muito saber se você tem ou não o vírus. Pois ao fazer o teste, se der positivo indica que você tem sim o vírus, mas se der negativo não significa necessariamente que você não tem o vírus.

Precisamos deixar o teste para as pessoas que realmente precisam ser testadas, aquelas com a COVID-19 na sua forma grave, porque essas pessoas na internação precisam ser testadas para saber se elas têm a COVID-19 ou se ela tem outro problema respiratório para definir o tratamento.

Então, o que devo fazer para parar essa pandemia, me proteger e me proteger a minha família?

  • Fique em casa! A melhor forma de evitar o contágio da doença e o aumento de números de pessoas doentes é ficando em casa e evitar aglomerações;
  • Não espalhar pânico e fakenews! Isso não ajuda ninguém e só atrapalha o compartilhamento de notícias oficiais, estratégias que são propostas para ajudar a todos;
  • Hábitos de higiene e comportamentais: lavar as mãos várias vezes ao dia e, usar o álcool em gel, quando não der para lavar as mãos; espirrar e tossir no antebraço; evitar beijos, abraços e apertos de mãos;
  • Cuidar dos nossos idosos: deixe eles em casa e sem contato com muitas pessoas, especialmente com crianças que são tão afetuosas, mas que infelizmente são as maiores fontes de contaminação.

Seja solidário(a): se houver um idoso(a) próximo a você, ligue e pergunte como está, se ofereça para ir ao supermercado e à farmácia para ele(a), caso precise.

Autora: Kelly Máxima

Mestra em Ciências pela USP
Doutoranda em Ciências pela USP

Fonte: (Documentos da Organização Mundial da Saúde, Ministério da Saúde do Brasil; artigos científicos das revistas: New England of Medicine e LANCET e vídeos disponíveis no youtube da médica Dra. Renata Kotscho Velloso e neurocientista Dra. Claudia Feitosa-Santana).